terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O começo de uma jornada


Acordei atrasada. O treinamento para se tornar gatuna começava daqui a vinte minutos, e eu demoro bastante para chegar ao local, pois tenho que fugir dos guardas da cidade. Olhei pela janela do meu quarto e vi Morroc, completamente destruída. Toda aquela destruição fazia com que a cidade ganhasse um ar pesado. “Aquele maldito vai pagar por isso” pensei comigo. Satan Morroc, um monstro de aparência horrível e incrivelmente poderoso, renasceu e destruiu a cidade que estava começando a morar.
Bem, não tinha tempo para rodeios. Chequei as rotas dos guardas oficiais da cidade no mapa e olhei para fora. Não vi guarda algum. “Realmente, hoje é meu dia de sorte” pensei de novo. Coloquei minha roupa mais uma capa para esconder meu rosto, saí da estalagem e fui correndo para as pirâmides, onde ficava a Guilda de Gatunos. Passei pelo labirinto, já bem conhecido por mim e desviando dos ataques dos familiares que viviam por lá.
Na entrada da Guilda vi algumas pessoas entrando. “Deve ser os outros novatos” pensei. Entrei na parte onde ficava a administração. Mal entrando no local, não via ninguém e senti uma batida forte na minha nuca, tudo começou a ficar escuro e comecei a perder meus sentidos. Lutei para ficar acordada, mas me deram outra batida nas costa e desmaiei.
Quando acordei, estava amarrada, sem a capa e ainda na administração da Guilda. Não estava muito escuro, mas pude ver o pessoal responsável pelos novatos, os novatos (ambos desacordados) e as pessoas que estavam conversando na minha frente. Eram os guardas. Devem ter seguido um dos novatos até aqui. Mas como chegaram até aqui não é importante. O que importa é que eu tenho que ajudar o pessoal da Guilda. Droga, justo hoje que eu iria me tornar gatuna.
Mesmo ainda estando um pouco mal por causa das batidas que me deram, olhei para trás e vi que estava amarrada com cordas e que não tinham me revistado. Ótimo, esses guardas são uns idiotas mesmo! Tirei meu estilete do bolso da minha calça e comecei a cortar a corda. Os guardinhas estavam tão distraídos que nem precisei fingir que ainda estava desacordada. Tinha apenas dois guardas na pequena sala. O resto poderia estar do lado de fora, procurando outros trabalhadores da Guilda.
Dois guardas? Isso é fácil. Só não posso fazer muito barulho.
Depois que me soltei, acordei silenciosamente um dos gatunos que estava do meu lado. Desamarrei-o e expliquei com gestos o que eu pretendia fazer com os guardas. O garoto concordou e pegou uma das cordas que eu havia cortado. A ação foi mais que rápida: Eu e o gatuno amordaçamos os guardas para que não falassem alto e logo demos um soco no rosto de cada um, para ficarem desacordados.
Depois da rápida ação, tiramos o pessoal da Guilda e acordei cada um deles. Ficaram assustados com a situação nunca vista e enquanto se arrumavam e recuperavam, peguei meu estilete e abri cuidadosamente a porta para ver se os guardas estavam ali. Olhei por todos os lados, não vi ninguém. A porta da frente, onde ficava o estoque de veneno e areia especial dos gatunos estava fechada. Não consegui ouvir nada vindo dali, mas também não tinham provas que os guardas não estariam ali. A porta que dava para o subsolo da pirâmide também estava fechada e trancada. Eu sabia disso por causa do enorme cadeado com senha (e provavelmente com um lugar de chave para abrir aquilo) trancando a porta feita de pura pedra envolta em magia.
Depois, abri um pouco mais para olhar para o corredor que ia para a entrada do hall da Guilda. Porta fechada também. “Isso é bom, temos uma circulação livre aqui no hall” pensei. Uma voz sussurrada me fez fechar a porta e prestar atenção no garoto que eu havia acordado por primeiro:
-Então, qual a nossa situação? – Ele estava do meu lado, tentando ver além da porta também.
-Bem, acho que podemos circular livremente pelo hall, mas todas as portas estão fechadas, inclusive a do quarto da frente, mas não tenho certeza se os guardas podem estar ali. Temos que ir verificar. – Falei lentamente e sussurrando, tomando cuidado para ouvir algum guarda vir para o local onde estávamos.
-Então temos que ir armados. Ah, muito obrigado por antes. Eu sou Andrew Bradley, mas pode me chamar de Andy. Você é...?
-Amaya Haru. Mas me chame só de Aya. – Os olhos cor de ametista bruta dele brilharam quando falei meu nome completamente diferente e contraditório.
-Nome diferente. O que significa?
-Bem, “Amaya” é noite com chuva, enquanto “Haru” é sol. Contraditório, não é? Ah, e “Aya” vem da língua de um povo antigo que protegia a grande yggdrasil e significa “Eu”.
-Sim, contraditório; mas bonito. – Meu coração pulsou um pouco mais forte e eu corei. Foi a primeira vez que alguém havia elogiado meu nome.
Respirei fundo e disse:
-Obrigada. Como os outros estão? Acho que vamos precisar da ajuda deles para tirar esses guardas daqui.
-Eles estão se recuperando bem. Vou falar com eles para esclarecer nossa situação e pedir ajuda também. – Assenti e depois Andy saiu andando e começou a falar com os novatos e gatunos.
Enquanto esperava a resposta do pessoal fiquei vigiando o lado de fora pela fresta da porta...
Estamos ferrados.

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